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Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave: 'Constante, mas lenta'

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03 de Julho de 2026 às 10:11
8 min de leitura
Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave: 'Constante, mas lenta'

Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave no interior de SP Após resgatar e virar "pai" de um filhote de beija-flor, em 12 de maio deste ano, o veterinário Luís Felipe Zulim, de Presidente Prudente (SP), descreve a evolução do animal, que ainda não tem previsão para voltar à natureza. Os cuidados do profissional com o pequeno beija-flor contam com alimentação específica, uma casinha improvisada e até aquecedor para manter o bem-estar do animal. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp "A evolução está constante, mas ainda um pouco lenta. Ele começou a empenar e ficar colorido, mas ainda faltam lugares, como no pescoço, para crescer peninhas", afirma o veterinário ao g1. Desde o resgate, e com os cuidados diários de Luís Felipe, o beija-flor está mais independente, conseguindo se alimentar sozinho às vezes, no bebedouro próprio ou pela seringa, por exemplo. "A temperatura está se mantendo melhor (o tempo ajudou) e a alimentação está mais espaçada, e também se movimentando mais, tentando dar os primeiros voos." Isso porque, quando o filhote foi resgatado, precisava comer a cada 20 ou 30 minutos, o que exige que ele acompanhe o veterinário a todos os lugares. Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave em Presidente Prudente (SP) Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: Cadela confinada há meses em condições insalubres é resgatada após denúncia de maus-tratos no interior de SP Com casinha especial, mamadeira 6x por dia e roupa no frio, alpacas viram atração no interior de SP: 'São muito frágeis' Aos 70 anos, dentista viaja até o Himalaia para ver os 7 picos mais altos do mundo: 'A melhor das experiências' Agora, os cuidados com a ave seguem sendo a alimentação e treinos de independência no bebedouro, além de poleiro para que o beija-flor ganhe mais resistência nas patas e "banho de sol" em alguns períodos do dia, conforme o veterinário. "Ainda sem perspectiva, ele é muito dependente e ainda não voa… Confesso que não sei se ele estará totalmente apto para viver sozinho na natureza, só o tempo dirá por causa da evolução lenta e da demora para o empenamento completo", continua o especialista. Uma das preocupações do veterinário ocorre porque, segundo uma amiga dele que trabalha com aves, a dieta diária do beija-flor considera grande quantidade de mosquitos, o que se torna inviável em "cativeiro". "Acreditamos que a falta do alimento mais específico, aliada a temperaturas frias, retardou o desenvolvimento, mas seguimos na luta, pois ele se apresenta forte, interagindo, pedindo alimento e batendo as asas." Além disso, o animal apresentava deformidade nas patinhas, mas isso não se tornou um impedimento, segundo o veterinário. "O mais importante são as asas, o voo." Nas redes sociais, Luís Felipe compartilha o dia a dia do beija-flor, apelidado de Zulinho, em referência ao sobrenome do veterinário, Zulim. Confira alguns vídeos no início da reportagem. "Percebi que o aquecedor ajudou muito no desenvolvimento dele nas últimas semanas. É devagar, mas já é possível ver peninhas novas e ele mais ‘reforçadinho’", completa. Filhote foi resgatado no dia 12 de maio; inicialmente, o veterinário pensou que o filhote estava morto Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal Aprendizado e casinha da infância Nos primeiros dias, a pequena ave apresentava respiração fraca e poucos movimentos. De início, o médico forneceu água com açúcar na seringa para suprir energia e acomodou o filhote em um vaso de flor forrado. Após pesquisar e conversar com especialistas em animais silvestres, ele comprou a papinha específica para a espécie e improvisou uma luz para aquecê-lo. A proteção contra o frio ganhou um reforço nostálgico. Após tentar caixas de papelão e de transporte de gatos, o veterinário encontrou a solução no armário, além de comprar um aquecedor de tomada. "Encontrei, em cima do guarda-roupa, essa 'casinha', que é um brinquedo da minha infância, uma fazendinha (celeiro) que vinha com cerquinha e animais. Ficou certinho, porque o ar quente entra pela janela, que é mais alta, e circula lá dentro, e facilitou o transporte também para levar para lá e para cá. Essa casinha deve ter uns 25 anos", conta. Veterinário resgata beija-flor e monta casinha, aquecedor e alimentação especial em SP Recuperação e meta de soltura Zulim destaca que o "filho de asas" está em recuperação, embora o processo seja mais lento do que se estivesse com a mãe. "O frio está judiando um pouco, mas a alimentação frequente e o aquecimento estão ajudando muito. Agora ele começou a se mexer mais e bater a asa, interagir mais, pedindo comida e as penas começaram a crescer, inclusive as coloridas (verdes)", conta. Aquecimento e alimentação adequados são essenciais no cuidado com a ave Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal Desde o início, o objetivo é fazer a soltura no habitat, assim que a ave estiver apta para viver sozinha na natureza. "Como profissional e como ser humano, esse processo está sendo de grande intensidade, entrega e dedicação. Ficará marcado para sempre", afirma ao g1. No entanto, o profissional reforça que não é adequado sair resgatando animais silvestres sem conhecimento e manejo adequados para evitar prejudicar o bicho. "Foi preciso agir com coração, mas com cautela e rapidez. Não é minha área de atuação, por isso precisei pesquisar e pedir ajuda a profissionais da área de forma rápida para oferecer o cuidado necessário", afirma. A orientação é acionar profissionais da área, como a Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou médico-veterinário de animais silvestres. Devido ao período de alimentação, ave vai para todos os lugares com o veterinário Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal O que fazer ao encontrar um filhote? Em entrevista ao g1, a médica-veterinária de animais silvestres Amanda Abonizio orienta que a primeira atitude ao vir um filhote de animal silvestre é observar a situação com calma. "Nem todo filhote encontrado sozinho está abandonado. Muitas vezes os pais continuam por perto alimentando a ave. Se o animal estiver em local seguro e sem ferimentos aparentes, o ideal é monitorar antes de intervir", alerta. A profissional acrescenta que, caso o animal esteja ferido, debilitado ou em situação de risco, ele deve ser colocado em uma caixa de papelão limpa, aquecida e silenciosa, enquanto se busca orientação de um médico-veterinário ou órgão ambiental. "A principal orientação é avaliar se existe realmente necessidade de intervenção. Devemos agir quando o animal apresenta ferimentos, sinais de debilidade, risco iminente ou quando há certeza de que ficou órfão", afirma. "Nessas situações, o ideal é procurar um médico-veterinário capacitado para atendimento de animais silvestres, além dos órgãos ambientais responsáveis pela fauna. Quanto mais rápido o encaminhamento adequado, maiores são as chances de recuperação e retorno à natureza", continua. Ave foi resgatada por médico-veterinário e evolui na recuperação Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal No caso específico do beija-flor, Amanda destaca que os pontos mais importantes são a manutenção da temperatura, a hidratação e a alimentação na frequência adequada. Ela conta que filhotes de aves têm dificuldade em regular a própria temperatura, então podem evoluir rapidamente para hipotermia. "Outro cuidado fundamental é evitar o estresse excessivo e o manuseio desnecessário, já que são animais muito sensíveis", diz. Embora a intenção seja ajudar, a especialista ressalta que algumas medidas podem colocar a vida do animal em risco. Em beija-flores debilitados, solução de água com açúcar pode funcionar como uma medida emergencial para fornecer energia até que o animal receba atendimento adequado. "No entanto, ela deve ser preparada apenas com açúcar branco refinado, pois açúcares como mascavo e cristal são tóxicos. Além disso, essa solução não substitui a alimentação correta, especialmente em filhotes, que necessitam de uma dieta específica", afirma. Outro risco, segundo ela, é oferecer líquidos diretamente no bico, o que pode causar aspiração pulmonar. Com isso, o ideal é que o animal seja mantido aquecido, em uma caixa tranquila, e encaminhado o quanto antes para um médico-veterinário ou centro de reabilitação de fauna. Uma informação importante, segundo Amanda explicou ao g1, é que o resgate nem sempre significa retirar o animal da natureza. "Muitas aves passam por fases em que deixam o ninho antes de voar e continuam recebendo cuidados dos pais. Por isso, a retirada precipitada pode interromper esse processo natural. Sempre que possível, a melhor conduta é buscar orientação profissional antes de recolher o animal", pontua. Os beija-flores, por exemplo, estão entre as aves com metabolismo mais acelerado do mundo, o que os torna extremamente delicados durante o atendimento. "Por isso, mesmo períodos curtos sem alimentação adequada ou exposição ao frio podem representar um risco significativo. Cada caso deve ser avaliado individualmente, sempre priorizando o bem-estar do animal e seu retorno seguro à vida livre." À esquerda, a ave quando foi resgatada; à direita, como está atualmente Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
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