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Nome de Alexandre Ramagem aparece em lista de bicheiro Adilsinho; ex-deputado não foi alvo de operação

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03 de Julho de 2026 às 21:06
4 min de leitura
Nome de Alexandre Ramagem aparece em lista de bicheiro Adilsinho; ex-deputado não foi alvo de operação

O nome do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) aparece em uma lista do bicheiro Adilsinho, encontrada pela Polícia Federal, durante a 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2). A lista reúne supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro e nomes de agentes políticos do Rio. Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, foi alvo de um mandado de prisão na operação, ainda que já esteja preso. Apesar da citação nos materiais apreendidos, o ex-deputado não foi alvo da ação desta quinta-feira, mas figura como investigado, junto com outros que figuram na lista. A Polícia está aprofundando as investigações. A reportagem procurou a assessoria de Ramagem e aguarda um posicionamento do ex-deputado. De acordo com informações obtidas pelo blog, no arquivo nomeador como “planilha 2” aparecem quatro depósitos para o “cliente” identificado na lista pelo nome “DEP RAMAGEM” e “DEP ALEXANDRE RAMAGEM”. PF deflagra 5ª fase da Operação Unha e Carne no Rio Nas planilhas não há menção ao ano dos depósitos, mas há o registro de mês e dia dos pagamentos, além dos valores, da seguinte forma: 02/09 - DEP RAMAGEM - R$ 39.708,00 06/09 - DEP RAMAGEM - R$ 30.000,00 21/09 - DEP ALEXANDRE RAGEM - R$ 18.100,00 29/09 - DEP ALEXANDRE RAMAGEM - R$ 22.080,00 Alexandre Ramagem perdeu o mandato de deputado após ter sido condenado pelo STF por envolvimento em tentativa de golpe de Estado. Jornal Nacional/ Reprodução Ramagem foi diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no governo Bolsonaro e depois foi eleito deputado federal pelo Rpo de Janeiro. Ele perdeu o mandato e foi demitido do posto de delegado da Polícia Federal, após ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos, um mês e 15 dias em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ramagem fugiu para os EUA no mês em que foi condenado e é alvo de um pedido de extradição encaminhado pelo governo brasileiro. Ele entrou com pedido de asilo político, que está sendo analisado pelo governo norte-americano. Nome de Cláudio Castro também aparece O nome do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também aparece na lista atribuída ao bicheiro Adilsinho. De acordo com a apuração do repórter Mohamed Saigg, a lista cita uma doação de R$ 3,2 milhões para o candidato Cláudio Castro. O ex-governador cassado concorreu em 2022 à reeleição. Castro governou o Rio de Janeiro de 2021 a 2026, quando renunciou um dia antes do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que determinaria a cassação e inelegibilidade dele. Leia também: PF encontrou listas de políticos na cabeceira de Adilsinho e investiga ‘mesada’ da contravenção Nome de Cláudio Castro aparece em lista de bicheiro Cláudio Castro também não foi alvo da ação desta quinta-feira. Em nota, a defesa dele disse ser "mentirosa qualquer ilação" de que o ex-governador tenha recebido pagamentos de Adilsinho. Os advogados afirmaram que uma citação ao nome de Castro "não comprova recebimento de valores, irregularidade eleitoral ou prática de qualquer ato ilícito". Operação Unha e Carne A Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Unha e Carne nesta quinta-feira (2) para investigar esquemas de lavagem de dinheiro da cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro. O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca, sendo investigado por suposta ligação com a denominada "Máfia do Cigarro". Além de Poncio, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que já se encontravam presos por fases anteriores da mesma operação. A decisão judicial também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões, baseando-se em planilhas da Operação Fumus de 2021 que indicavam pagamentos indevidos e "mesadas" para pelo menos 20 políticos do estado. A 5ª fase da investigação deriva de uma determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que ordena a apuração de vínculos entre grupos criminosos e agentes públicos. Nas fases anteriores, a Operação Unha e Carne investigou o vazamento de informações sigilosas para a facção Comando Vermelho, o escândalo da Ceperj e fraudes em contratações na Secretaria Estadual de Educação. As investigações anteriores envolveram figuras como o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e o deputado Thiago Rangel, apontando para uma possível cadeia de proteção institucional ao crime organizado. A "Máfia do Cigarro", liderada por Adilsinho, é descrita como um esquema que controla a venda de cigarros falsificados em quase metade dos municípios do Rio de Janeiro, gerando prejuízos bilionários em sonegação fiscal. Em resposta às acusações, a defesa de Márcio Poncio afirmou não ter tido acesso aos autos do processo, enquanto a defesa de Adilsinho negou o pagamento de vantagens indevidas a políticos.
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