Fotos de haxixe e mensagens em celular apreendido nos EUA deram origem à investigação da PF contra alvo de sanção americana
Operação da PF prende secretária alvo de sanção dos EUA por suspeita de elo com PCC e mais 6 pesso A investigação da Polícia Federal que culminou na Operação Exchange, deflagrada nesta sexta-feira (3), teve início após autoridades dos Estados Unidos apreenderem o celular de um brasileiro durante uma fiscalização de fronteira no Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale, na Flórida. Segundo decisão da 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo que autorizou a operação, a análise do aparelho revelou vídeos, fotografias, mensagens criptografadas, comprovantes bancários, imagens de grandes quantias de dinheiro em espécie e registros de negociações relacionadas ao tráfico de drogas. Entre as mensagens analisadas, a PF encontrou negociações de haxixe, vídeos e fotos da droga e um áudio em que um dos investigados afirma que o produto poderia ser vendido no Rio de Janeiro por cerca de R$ 150 a grama, além de imagens de dinheiro em espécie e comprovantes bancários (leia mais abaixo). Esses elementos deram origem à investigação sobre um suposto esquema internacional de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico internacional de drogas. O principal investigado também foi alvo de sanções dos Estados Unidos por suspeita de integrar uma rede de lavagem de dinheiro associada ao PCC. Apartamento da ex-esposa de Victor Henrique de Oliveira Shimada foi alvo de mandado de busca e apreensão em Santos (SP) Diego Bertozzi/TV Tribuna e Reprodução/Globonews O dono do aparelho é Ygor Fokin Saviolli, apontado pela Polícia Federal como um dos líderes da organização investigada ao lado do empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, que está foragido e foi alvo de sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos nesta semana por suspeita de lavar dinheiro para o PCC. Ygor foi preso no início deste ano nos Estados Unidos pelo FBI. De acordo com a decisão judicial, a investigação brasileira começou depois que a Homeland Security Investigations (HSI), agência de investigação criminal do Departamento de Segurança Interna dos EUA, enviou dois comunicados formais à Polícia Federal. Os documentos informam que cidadãos brasileiros eram investigados por integrar uma estrutura especializada em lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas, utilizando empresas de fachada, laranjas, transporte de dinheiro vivo e sistemas informais de compensação financeira. Segundo o juiz Paulo Cezar Duran, o "elemento inaugural" da investigação foi justamente a apreensão do celular de Saviolli, ocorrida em 21 de outubro de 2023 durante uma fiscalização migratória em Fort Lauderdale. As autoridades americanas compartilharam o conteúdo do aparelho com a PF por meio do acordo de cooperação jurídica internacional entre Brasil e Estados Unidos (MLAT). EUA sancionam duas pessoas e três empresas brasileiras por suposta ligação com o PCC em 1º de julho de 2026. Reprodução/Departamento do Tesouro dos EUA Haxixe e empresas investigadas A decisão afirma que as primeiras análises do celular indicaram negociações envolvendo substâncias entorpecentes, além de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a atividade formal dos investigados. Segundo a PF, Victor Shimada e Ygor Saviolli comandariam o núcleo financeiro da organização por meio das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios e Hi Quality Importação Comércio e Distribuição, usadas para ocultar e movimentar recursos provenientes do tráfico internacional de drogas. Entre os investigados também está Gabriel Innocente, apontado pela PF como responsável por negociar haxixe, intermediar pagamentos e utilizar contas da empresa Hi Quality para receber recursos das transações ilícitas. Operação Exchange A Operação Exchange foi deflagrada nesta sexta-feira com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro do tráfico internacional de drogas. A Justiça autorizou prisões temporárias, buscas e apreensões, bloqueio de até R$ 10,3 bilhões em bens e valores, além do sequestro de criptomoedas, veículos e patrimônio dos investigados. Ao todo, a investigação envolve 13 pessoas físicas e 73 empresas. Nesta sexta, a Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão. Entre os presos está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Victor Shimada e também alvo de sanções aplicadas pelo governo dos Estados Unidos. Shimada segue foragido. Segundo a PF, o grupo utilizava dezenas de empresas para ocultar a origem do dinheiro ilícito e movimentar recursos entre Brasil e exterior, funcionando como uma sofisticada estrutura clandestina de câmbio e lavagem de capitais. O que dizem os citados Em nota, o advogado de defesa de Shimada, Yuri Cruz, disse que tomou conhecimento, na quarta-feira (1º), das notícias acerca das sanções anunciadas. "Até o presente momento, não tivemos acesso aos documentos oficiais e aos elementos que fundamentaram a medida, o que impede qualquer manifestação específica sobre seu conteúdo. Não obstante, Victor Shimada nega veementemente qualquer envolvimento com organização criminosa ou com a prática de lavagem de dinheiro". E complementou: "A situação será analisada com a cautela e a profundidade que o caso exige, após o efetivo acesso aos documentos que embasaram a medida e em conjunto com os profissionais que atuarão perante as autoridades competentes. Por ora, qualquer conclusão seria precipitada. A defesa reafirma sua absoluta confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos pelos meios legais adequados". Já a defesa de Ygor Fokin Saviolli não foi localizada pelo g1 até a última atualização desta reportagem.
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